
Remédios para dormir: tipos, riscos e o que fazer antes de recorrer a eles
Quando o sono some por semanas, a ideia de tomar um remédio para dormir parece a saída mais rápida. Em alguns casos ele de fato faz parte do tratamento, mas quase sempre por pouco tempo e depois de uma avaliação. Este texto explica as principais classes, os riscos de cada uma e o que costuma ser tentado antes. Por segurança editorial, não traz doses, que dependem sempre da avaliação médica.
Insônia: quando deixa de ser uma noite ruim
Uma noite ruim ocasional é normal e costuma ter causa clara, como estresse, cafeína ou mudança de horário. Fala-se em insônia crônica quando a dificuldade para pegar no sono, para manter o sono ou o despertar cedo demais ocorre pelo menos três vezes por semana, durante três meses ou mais, e causa prejuízo no dia seguinte, como cansaço, irritabilidade e dificuldade de concentração.
Nesse ponto vale uma avaliação, porque a insônia pode ser sintoma de outras condições, como ansiedade, depressão, dor crônica, apneia do sono e efeito colateral de medicamentos. Tratar a causa costuma ser mais eficaz do que apenas induzir o sono.
O que costuma ser tentado primeiro
As diretrizes de tratamento colocam como primeira linha as medidas sem remédio, em especial a terapia cognitivo-comportamental para insônia, que ensina a reorganizar hábitos e pensamentos ligados ao sono. Os resultados costumam ser mais duradouros do que os dos remédios, que tendem a funcionar enquanto são usados. Os medicamentos entram, em geral, como apoio por um período limitado.
Principais classes de medicamentos
- Benzodiazepínicos (como diazepam, clonazepam, lorazepam e bromazepam): têm ação calmante e sedativa e são eficazes no curto prazo, mas podem causar tolerância (perda do efeito), dependência, sonolência durante o dia, prejuízo de memória e quedas
- Zolpidem e semelhantes (as chamadas drogas Z): agem de forma parecida e, em alguns casos, podem provocar comportamentos complexos durante o sono, como andar, comer ou até dirigir sem lembrar depois
- Antidepressivos com efeito sedativo (como trazodona, amitriptilina e mirtazapina): usados em situações específicas, com avaliação médica, e com efeitos colaterais próprios
- Anti-histamínicos sedativos: causam sonolência, mas a tolerância aparece rápido e eles podem provocar boca seca e confusão, principalmente em idosos
- Melatonina: regula o ritmo biológico e é mais útil em situações específicas, como mudanças de fuso horário; veja melatonina: para que serve e os riscos do uso sem indicação
- Antagonistas de orexina: uma classe mais nova, que age sobre o sistema de vigília do cérebro, como o lemborexante, abordado em Anvisa aprova Dayvigo
Riscos que merecem atenção
- Dependência e abstinência: parar de repente depois de um uso prolongado pode causar insônia de rebote, ansiedade e tremores, e a retirada deve ser feita de forma gradual, sob orientação médica
- Sonolência no dia seguinte, com risco ao dirigir ou operar máquinas
- Quedas e fraturas em idosos, que são mais sensíveis a esses efeitos, além de confusão mental
- Combinação com álcool ou opioides, que aumenta o risco de depressão respiratória e pode ser perigosa; veja álcool e dieta
- Interações com outros medicamentos, que devem ser verificadas na bula e com o farmacêutico, e piora de uma apneia do sono não diagnosticada
- Gravidez e amamentação, que exigem avaliação individual antes de qualquer uso
Como é a venda no Brasil
Os benzodiazepínicos e o zolpidem são medicamentos controlados e só podem ser vendidos com receita especial, que fica retida na farmácia. Esse controle existe justamente pelo potencial de dependência e de uso inadequado. Comprar sem receita, aceitar remédio de outra pessoa ou usar sobras de um tratamento anterior é arriscado, porque a escolha e a dose dependem do seu caso.
O que ajuda antes e junto com o remédio
- Manter horários regulares para deitar e acordar, inclusive nos fins de semana
- Pegar luz natural pela manhã, o que ajuda a regular o relógio biológico
- Cortar a cafeína no fim da tarde e à noite; veja excesso de cafeína
- Evitar álcool à noite, que ajuda a adormecer, mas fragmenta o sono
- Jantar sem exageros e cuidar da rotina de sono, que também influencia o apetite e o peso, como mostramos em sono ruim engorda?
- Deixar o quarto escuro, silencioso e fresco, e reservar a cama para dormir, afastando telas na hora de deitar
- Se não conseguir dormir depois de cerca de 20 minutos, levantar e fazer algo calmo até o sono voltar, em vez de ficar rolando na cama
- Praticar atividade física regularmente, de preferência longe do horário de deitar
Quando procurar ajuda
Procure um médico se a insônia dura mais de três meses ou atrapalha o dia a dia, se há ronco alto com pausas na respiração e sonolência durante o dia, que podem indicar apneia do sono, se há movimentos involuntários ou desconforto nas pernas que pioram à noite, ou se há tristeza persistente e desesperança. Se estiver usando remédio por conta própria há semanas, vale conversar com um profissional antes de parar ou de continuar. Em momentos de sofrimento emocional intenso, o CVV atende gratuitamente, a qualquer hora, pelo 188.
Perguntas frequentes
Posso tomar remédio para dormir todos os dias? Não sem orientação médica. O uso contínuo aumenta o risco de tolerância e de dependência, e o médico define se, por quanto tempo e em qual dose o tratamento é adequado.
Chás e fitoterápicos funcionam? Camomila, valeriana e maracujá são populares, mas a evidência de benefício na insônia é limitada, e produtos naturais também podem ter efeitos colaterais e interações. Vale contar ao médico tudo o que você usa.
Remédio para dormir vicia? Alguns, sim, principalmente quando usados por muito tempo, e por isso são controlados. Entender como funciona a aprovação e o registro de um medicamento ajuda a avaliar o que cada produto é: veja como um medicamento é aprovado no Brasil.
Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação médica. Não inicie, interrompa nem altere o uso de medicamentos para dormir sem orientação profissional.



