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Tirzepatida original ou do Paraguai? Entenda os riscos antes de decidir
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Tirzepatida original ou do Paraguai? Entenda os riscos antes de decidir

Por Carlos Oliveira·19 de julho de 2026·2 min de leitura
Este conteúdo é informativo e não substitui orientação médica ou nutricional profissional. Consulte sempre um especialista antes de iniciar dietas ou usar medicamentos.

A tirzepatida é o princípio ativo do Mounjaro, medicamento da farmacêutica Lilly já autorizado no Brasil desde 2023 para o tratamento do diabetes tipo 2. Em 2025, a Anvisa também aprovou seu uso para emagrecimento, podendo ser prescrito para pessoas com IMC acima de 30 kg/m² (obesidade) ou acima de 27 kg/m² (sobrepeso) associado a alguma comorbidade.

No mercado formal, o Mounjaro custa entre R$ 1.400 e R$ 2.700 por caixa com 4 canetas, dependendo da dosagem e de descontos disponíveis (valores de julho de 2026). Ainda não existe genérico registrado na Anvisa, já que a molécula continua sob patente — o Mounjaro é, por enquanto, o único medicamento com tirzepatida aprovado no país.

Esse preço elevado tem levado parte dos brasileiros a buscar versões importadas do Paraguai, vendidas por até três vezes menos. O resultado desse movimento aparece nos números de fiscalização: só entre janeiro e maio de 2026, foram apreendidas 414 mil unidades de medicamentos irregulares à base de GLP-1 no Brasil — um volume 12 vezes maior do que o registrado em todo o ano de 2025, quando foram apreendidas cerca de 33 mil unidades.

A Anvisa já baniu nove marcas de tirzepatida fabricadas no Paraguai, nenhuma delas avaliada pelas autoridades sanitárias brasileiras. Segundo a agência, mesmo as versões que têm algum registro no Paraguai chegam ao Brasil por contrabando, sem controle de temperatura e sem rastreabilidade — e a tirzepatida precisa ser mantida refrigerada entre 2°C e 8°C durante todo o transporte, condição que dificilmente é garantida fora da cadeia farmacêutica formal.

Além do problema da conservação, boa parte do que circula é falsificada: já houve apreensão de lotes falsos no Brasil e relatos de internações graves associadas ao uso clandestino desses produtos. A Anvisa reforça que nenhum desses itens passou pelas análises de segurança e eficácia exigidas para medicamentos comercializados legalmente no país.

A situação já gerou disputa judicial: alguns pacientes conseguiram liminares na Justiça para importar a versão paraguaia, alegando o preço como justificativa, enquanto a Anvisa contesta essas decisões nos tribunais, defendendo que a proibição existe justamente para proteger a saúde da população diante da ausência de garantias sanitárias.

Para quem considera usar tirzepatida para diabetes ou emagrecimento, a orientação mais segura é buscar a versão registrada e vendida em farmácias brasileiras, com acompanhamento médico — mesmo sendo mais cara, é a única com garantia de procedência, conservação adequada e fiscalização sanitária. Decisões sobre uso de qualquer medicamento para emagrecimento devem ser sempre feitas em conjunto com um médico, considerando o histórico de saúde de cada pessoa.

Fontes

  • Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária)
  • Agência Brasil
  • TMC — reportagem sobre disputas judiciais e apreensões (2026)

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