
Anvisa aprova Myfembree para dor da endometriose, primeiro comprimido diário combinado para a condição
O que foi aprovado
A Anvisa aprovou o registro do Myfembree, comprimido de uso diário indicado para o tratamento da dor moderada a intensa associada à endometriose em mulheres adultas. O medicamento combina três substâncias num único comprimido: relugolix (que reduz a produção de estrogênio), estradiol e acetato de noretindrona (repostos em dose baixa para controlar efeitos colaterais da queda hormonal).
Sobre a endometriose
A endometriose é uma condição em que um tecido semelhante ao endométrio (a camada que reveste o útero) cresce fora dele, geralmente nos ovários, trompas ou outras estruturas da pelve. Causa dor pélvica crônica, cólicas intensas e, em muitos casos, dificuldade para engravidar — afeta uma parcela significativa das mulheres em idade reprodutiva e costuma levar anos até o diagnóstico correto.
Como funciona a combinação
O relugolix bloqueia a produção hormonal que alimenta o crescimento do tecido endometrial fora do útero, reduzindo a dor — mas essa mesma supressão hormonal, se feita sozinha, causaria sintomas parecidos aos da menopausa, como ondas de calor e perda óssea a longo prazo. É por isso que o comprimido já vem combinado com uma dose baixa de estradiol e noretindrona: uma reposição "add-back" que amortece esses efeitos colaterais sem anular o benefício principal do tratamento.
Vantagem prática
Antes dessa combinação, tratamentos com o mesmo mecanismo de ação (os chamados agonistas de GnRH) exigiam injeções e, com frequência, o uso adicional de terapia de reposição hormonal separada para controlar efeitos colaterais — o comprimido único simplifica esse esquema, mantendo eficácia e reduzindo o número de decisões de tratamento no dia a dia.
Cuidados
O uso contínuo é aprovado por até 24 meses, dado o efeito da supressão hormonal sobre a densidade óssea a longo prazo. A indicação e o acompanhamento devem ser feitos por ginecologista, que avalia histórico de saúde, desejo de gravidez futura e resposta ao tratamento.
Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação ginecológica individualizada.
Por que o diagnóstico demora tanto
Em média, mulheres com endometriose levam anos entre o início dos sintomas e o diagnóstico correto, muitas vezes porque a cólica intensa é normalizada como "dor menstrual comum". Exame de imagem (ultrassom especializado ou ressonância) e, em alguns casos, laparoscopia são as formas de confirmar o diagnóstico com mais precisão.
Nem toda dor pélvica é endometriose
Outras condições, como miomas uterinos, aderências pélvicas e síndrome do intestino irritável, podem causar sintomas parecidos — por isso a avaliação ginecológica detalhada é importante antes de iniciar qualquer tratamento direcionado especificamente à endometriose.



