
Anvisa aprova QFITLIA (fitusirana): tratamento de hemofilia que troca infusões frequentes por injeção a cada 2 meses
A hemofilia é uma doença genética em que o sangue não coagula corretamente, devido à ausência ou deficiência de uma proteína específica — o fator VIII, na hemofilia A, ou o fator IX, na hemofilia B. Isso causa sangramentos prolongados ou espontâneos, inclusive dentro de articulações e músculos, que podem gerar dor crônica e danos permanentes ao longo do tempo se não forem bem controlados.
Em julho de 2026, a Anvisa publicou a Resolução nº 2.831/2026, que trouxe novidades para o tratamento da hemofilia no Brasil. Entre elas está o registro do QFITLIA (fitusirana sódica), medicamento desenvolvido pela Sanofi, indicado para pacientes com hemofilia A ou B — com ou sem inibidores dos fatores de coagulação VIII ou IX — para adultos e adolescentes a partir de 12 anos.
A mesma resolução também ampliou o uso do Hympavzi (marstacimabe), que passa a contemplar pacientes com hemofilia A com inibidores do fator VIII e hemofilia B com inibidores do fator IX — população que, até então, tinha menos alternativas terapêuticas por conta da maior complexidade do tratamento nesses casos.
A principal novidade prática do QFITLIA está na forma de aplicação: o medicamento é administrado por via subcutânea a cada dois meses, substituindo o esquema tradicional de infusões intravenosas de 3 a 4 vezes por semana. Para quem convive com hemofilia, isso representa uma redução drástica na frequência de procedimentos — o que também costuma ser importante porque punções intravenosas repetidas ao longo dos anos tendem a dificultar o acesso às veias.
Essa mudança de via de administração (de infusão intravenosa frequente para injeção subcutânea espaçada) é uma tendência que vem se repetindo em vários tratamentos crônicos aprovados recentemente pela Anvisa, e costuma melhorar significativamente a adesão ao tratamento e a qualidade de vida dos pacientes, já que reduz o número de idas a centros de infusão.
A escolha entre as diferentes opções de tratamento para hemofilia — incluindo a decisão de trocar de medicamento — deve ser sempre feita em conjunto com um médico hematologista, que vai considerar o tipo de hemofilia, a presença ou não de inibidores e o histórico de sangramentos de cada paciente.
Fontes
- Portal Afya
- Agência Brasil
- Medway



