
Retatrutida: o que já se sabe sobre o "próximo Mounjaro" que ainda não chegou ao Brasil
A retatrutida é o próximo medicamento da linha de agonistas de hormônios intestinais desenvolvido pela Lilly, a mesma farmacêutica por trás do Mounjaro. A diferença é que ela atua em três receptores ao mesmo tempo — GLP-1, GIP e glucagon — um mecanismo chamado de agonista triplo, mais amplo do que os medicamentos atualmente disponíveis no mercado.
Os resultados do estudo de fase 3 TRIUMPH-1 mostraram perda de peso média de 28,3% ao longo de 80 semanas de tratamento, em um grupo de 2.339 participantes. Entre os pacientes que usaram a dose mais alta testada (12 mg), 45,3% perderam 30% ou mais do peso corporal — um resultado bem acima do que se via nos estudos dos medicamentos já aprovados.
Outro estudo do mesmo programa, o TRIUMPH-4, encontrou perda de peso média de 28,7% em 68 semanas. Já para o tratamento do diabetes tipo 2, o estudo TRANSCEND-T2D-1, com 537 participantes, mostrou redução média de 2,0 pontos percentuais na hemoglobina glicada (HbA1c) — indicador usado para medir o controle da glicose no sangue ao longo do tempo — além de perda de peso média de 16,8%.
Apesar dos resultados expressivos, é importante deixar claro: a retatrutida ainda não tem aprovação em nenhum país, incluindo os Estados Unidos. O pedido de registro junto à FDA (agência regulatória americana, equivalente à Anvisa) só deve ser protocolado, na melhor das hipóteses, no quarto trimestre de 2026 — e a consultoria GlobalData projeta que a aprovação efetiva só deve acontecer em 2027.
Isso significa que, no Brasil, a retatrutida está ainda mais distante: como não existe registro nem nos Estados Unidos, não há sequer processo de análise em andamento na Anvisa. Qualquer previsão de disponibilidade no país depende primeiro da aprovação americana, seguida do processo de registro nacional, que costuma levar meses ou anos adicionais.
Vale um alerta importante: à medida que a expectativa em torno da retatrutida cresce, é comum aparecerem anúncios de venda "antecipada" ou versões "importadas" do medicamento nas redes sociais — um cenário parecido com o que já acontece com a tirzepatida vinda do Paraguai. Como o medicamento não está aprovado em lugar nenhum, qualquer produto vendido como retatrutida hoje não passou por nenhuma avaliação de segurança e não deve ser considerado confiável, independentemente da origem anunciada.
Fontes
- Eli Lilly and Company (resultados de estudos de fase 3)
- CNBC
- GlobalData (previsão de mercado)



