
Anvisa aprova Briveka (brivaracetam) para epilepsia
A Anvisa aprovou o registro do Briveka (brivaracetam), indicado como terapia adjuvante — ou seja, usado em conjunto com outros medicamentos, não isoladamente — no tratamento de crises focais em pacientes com epilepsia a partir de 6 anos de idade.
No Brasil, estimativas do Ministério da Saúde apontam entre 1,5 e 2,5 milhões de pessoas vivendo com epilepsia ativa (prevalência de 1% a 1,5% da população), com cerca de 150 mil novos casos diagnosticados por ano. Globalmente, a Liga Brasileira de Epilepsia estima 65 milhões de pessoas com a condição — e países em desenvolvimento, como o Brasil, concentram cerca de 80% desse total mundial, com taxas de mortalidade associada à epilepsia proporcionalmente mais altas do que em países de renda alta.
Crises focais são um tipo de crise epiléptica que começa em uma área específica do cérebro, podendo ou não se espalhar para outras regiões e afetar a consciência. É o tipo mais comum de crise entre adultos com epilepsia, e seu impacto no dia a dia varia muito dependendo da frequência e da região cerebral envolvida.
Estima-se que cerca de 1 em cada 3 pessoas com epilepsia continue tendo crises mesmo em tratamento com um único medicamento anticonvulsivante — quadro chamado de epilepsia refratária ou de difícil controle. Para esses pacientes, adicionar um segundo medicamento com mecanismo de ação diferente é uma estratégia comum para tentar reduzir a frequência das crises.
O brivaracetam atua se ligando a uma proteína chamada SV2A, presente nas terminações nervosas e envolvida na liberação de neurotransmissores durante a atividade elétrica do cérebro. Esse mecanismo é semelhante ao do levetiracetam, um anticonvulsivante já bastante utilizado, mas o brivaracetam tem maior afinidade por esse alvo específico, o que na prática clínica internacional tem se associado a um perfil de tolerância um pouco mais favorável para alguns pacientes.
O medicamento já é utilizado em diversos países há vários anos, com perfil de segurança bem documentado na literatura médica internacional — a aprovação no Brasil amplia o acesso a essa opção terapêutica para pacientes que não respondem bem aos tratamentos já disponíveis no país, num cenário em que, como visto acima, uma parcela relevante dos pacientes brasileiros ainda convive com crises não controladas.
Os efeitos colaterais mais comumente relatados em estudos clínicos incluem sonolência, tontura, fadiga e, com menor frequência, alterações de humor ou comportamento — este último ponto costuma ser monitorado de perto pelo médico, especialmente em pacientes com histórico de condições psiquiátricas.
Vale reforçar: a resposta a qualquer anticonvulsivante varia bastante de pessoa para pessoa, e o que funciona bem para um paciente pode não funcionar da mesma forma para outro. Por isso, a introdução de um novo medicamento — inclusive como terapia adjuvante — deve ser feita exclusivamente sob orientação de um neurologista, com ajuste gradual de dose e acompanhamento contínuo. Interromper ou trocar medicação anticonvulsivante por conta própria pode ser perigoso e aumentar o risco de crises.
Fontes
- Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)
- Ministério da Saúde (Datasus)
- Liga Brasileira de Epilepsia (LBE)



